Panorama político dos principais jornais, após as eleições 10/10/2012

A cobertura das eleições municipais, feita em Minas Gerais pelos principais jornais mineiros e outros de âmbito nacional, seguiu uma tendência mais equilabrada em comparação as eleições anteriores. O relacionamento entre a mídia e as várias corporações políticas, também ocupou-se com com uma cobertura mais isenta de apoio a um partido ou outro. Contudo, ainda é possível perceber a força do relacionamento entre o campo político e os meios de comunicação e como isso é capaz de desempenhar um fundamental papel no processo de decisão política.

Em Belo Horizonte, neste ano de 2012, logo após a divulgação dos resultados das eleições, alguns dos principais jornais mineiros passaram a divulgar incasavelmente a vitória do PSDB, assegurada pelo ex-governador de Minas Gerais. A foto do senador ao lado do reeleito prefeito Marcio Lacerda esteve estampada nas capas do jornal Estado de Minas, O tempo e Hoje em Dia.

Pouco se falou sobre o isolamento do tucano em Belo Horizonte e sua derrota expressiva em cidades do interior de Minas. Na região metropolitana, e em cidades com mais de 100 mil eleitores e menos de 200 mil, somente em Betim o candidato do PSDB não tropessou. Em cidades como Juiz de Fora, Contagem, Uberaba, Uberlândia e Montes Claros, o PSDB não foi para o segundo turno.

Parece faltar aos jornais a boa discusssão e análises sobre os porquês das decisões políticas. Tais análises acabam reservadas aos blogs de analistas econômicos ou políticos, que vezes fazem seus comentários na páginas de internet, mas ainda falta um espaço para as discussões políticas.

Não se pode negar que Márcio Lacerda se reelege em Belo Horizonte com o grande apoio de Aécio e Anastasia, já no primeiro turno. Mas, a leitura de esse cenário como previa das eleições presidenciais de 2014 é um pouco equivocada. No dia 10 de outubro do jornal Hoje em Dia destacou seguinte leitura:

Com discurso de presidenciável, o senador Aécio Neves (PSDB) criticou a postura da presidente Dilma Roussef (PT) – sua provável adversária em 2014 –, durante a campanha eleitoral. Em flerte com o PSB, maior fortalecido nessas eleições, Aécio fez questão de destacar que a reeleição de Marcio Lacerda só foi possível, em parte, graças a seu campo político. “A eleição de Belo Horizonte é emblemática, transborda os limites de Minas”, considerou.

Para dar suporte a entrevista a matéria destaca a foto de corpo inteiro do senador, sentado e descontraido, com ares de presidenciável.

Em relação aos outros jornais não se percebe posições tão direcionadas, mas também há a ausência de uma crítica das ações do Estado, que por vezes deixa transparecer uma linha editorial abertamente favorável aos tucanos. Nesse jornais há, também, uma ausência da construção de dabates sobre o comportamento político e a gestão dos atuais govenantes.

O jornal O Globo e Folha de São Paulo com mais distância dos ditames da política de Minas parecem possuir mais força para falar sobre as fraquezas polítcas do candidatos de Minas. Os jornais se ocuparam em noticiar o tenso fim da campanha em Belo Horizonte que protagonizou ataques diretos entre a presidente Dilma Rousseff e Aécio, entretanto, se obstiveram de declarar que tal embate fosse aquecimento para a disputa das eleições de 2014, como foi divulgado em Minas.

Por Judy Lima

Eleições 2012

por: Ricardo

Jornal Hoje em Dia – Belo Horizonte 10/10/2012

Depois da eleição realizada no último domingo, dia 7 de outubro, com a vitória de Márcio Lacerda do PSB, o aliado do Prefeito reeleito, Aécio Neves, provável candidato a Presidência do Brasil em 2014, parece ficar ainda mais afastado da Presidente Dilma e do ex-presidente Lula. Os dois foram aliados do candidato Patrus Ananias, do PT que perdeu a eleição em Belo Horizonte. Aécio foi o principal fiador de Lacerda no racha entre PSB e PT ocorrido em junho passado e articulou pessoalmente e por meio de aliados a composição da coligação em torno do prefeito, formada por 19 partidos – 16 deles integrantes da base do governo da presidente Dilma. O Jornal Hoje em Dia, mostra como estão os dois lados – PT e PSB – na capital. Patrus prometeu dura oposição ao governo de Márcio Lacerda. Esse, por sua vez, já afirmou demitir de cargos da Prefeitura, quem estiver filiado ao PT.

Jornal Estado de Minas – Belo Horizonte 10/10/2012

A manchete de Política hoje, dia 10 de outubro de 2012 no Jornal Estado de Minas, informa que PT reage à ameaça de demissão da Prefeitura de Belo Horizonte. Depois da polêmica declaração do Prefeito reeleito Márcio Lacerda, de que filiados à legenda deverão ser exonerados dos cargos que ocupam na Prefeitura, militantes do partido e também o vice-prefeito e presidente municipal do PT, Roberto Carvalho, criticaram e muito as palavras. O petista classificou o fato como um exemplo de “intolerância” que poderá “prejudicar pessoas inocentes e trabalhadoras” em razão do que ele considera uma perseguição política. De acordo com o Jornal, desde o rompimento entre PT e PSB – que estiveram juntos na disputa de 2008 –, 375 petistas já teriam deixado cargos na prefeitura, inclusive de primeiro e segundo escalão. O Jornal também informa que Márcio Lacerda e Roberto Carvalho estão rompidos oficialmente desde o início do ano passado,
mas a relação entre os dois se tornou problemática ainda no primeiro ano de governo.

Jornal O Tempo – Belo Horizonte 10/10/2012

O Jornal o Tempo desta quarta-feira, faz um panorama geral das eleições. Desde as 128 toneladas de lixo eleitoral, os santinhos com os nomes dos vereadores, que foram recolhidos pela SLU, a polêmica das demissões de filiados ao PT e a equipe de governo definida por Márcio Lacerda. O Prefeito reeleito, disse que levará 3 meses para definir mudanças na atual administração. O Jornal cita também, comentários de Márcio Lacerda sobre o Metrô da capital. De acordo com ele, as linhas deverão ser construídas em até quatro anos e meio. E a manchete de hoje, diz que PT culpa o Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, pela derrota de Patrus. E que agora, o partido vai apostar todas as fichas na eleição à Presidência da República em 2014.

A Folha de São Paulo falou somente do segundo turno da prefeitura de São Paulo e  não deu destaque a política em Belo Horizonte, da mesma forma o jornal  O Globo.

Análise das reportagens veiculadas em alguns portais no dia 29 de outubro, sobre o resultado do segundo turno nas capitais, e também nas outras cidades.

 Por,  Leandro Vita.

Análise do Jornal Hoje em Dia

 

Em relação ao segundo turno das eleições nas capitais.

 

Reportagem, Título: Peemedebistas mantêm capilaridade pelo país

O jornal não enfatizou as eleições especificamente nas 16 capitais que tiveram 2º turno. O destaque dado foi ao numero de prefeituras que os partidos passaram a deter após o fim das eleições, no qual o PMDB, saiu com o maior numero de prefeituras. A reportagem também destaca a quantidade de prefeituras que o PMBD disputou no segundo turno, que foram, 15, e qual o seu desempenho nessas 15 cidades.

As informações que o portal do Hoje em Dia utilizou foram extraídas do Jornal: Estado de São Paulo.

 

Análise do Jornal O Tempo

 

Em relação ao segundo turno das eleições nas capitais.

 

Reportagem, Título: Base Afinada: 2014 é em 2014.

O jornal não aborda especificamente os resultados nas capitais. A análise feita é em números absolutos ou seja, de toda a eleição. Uma das reportagens destaca o crescimento do PSB a frente das prefeituras, sendo entre os 3 partidos(PT, PSB, PSDB) postulantes a presidência da republica, isso segundo a reportagem, o partido que mais cresceu em números percentuais. A reportagem também destaca as 3 vitórias do PSB em 3 capitais no qual disputou com o PT, que é seu aliado na esfera federal. A reportagem também conta com a fala dos representantes do PSB e do PT, no qual analisam os resultados das eleições e respondem sobre as especulações sobre o pleito de 2014.

 

 

Análise do Jornal Folha de São Paulo

 

Reportagem, Título: Cresce a pulverização do poder nas grandes cidades.

O jornal destaca a pulverização do poder político nas grandes cidades do país. Há uma análise geral considerando as 85 cidades mais importantes do país, e também há uma análise em que se discute os resultados das eleições nas capitais, no qual  controle das legendas nessas cidades, ou seja, os partidos, saltaram de 9 para 11 legendas, considerando todas as capitais do país.

Também se destaca os partidos que perderam terreno entre o grupo dessas 85 cidades, como o PMDB. Há também a observação de que a oposição ganhou terreno, principalmente quando se analisa as capitais.

 

Análise do Jornal O Globo

 

Reportagem, Título: Após segundo turno, capitais nas mãos de 11 partidos.

 

O jornal, assim como a Folha de São Paulo, destaca a pulverização do poder só que com o foco nos resultados nas capitais do pais. A reportagem analisa os desempenhos dos partidos, destaca o PSB  como o partido que cresce e se destaca nessas eleições, e o PMDB, que apesar de comandar a maioria das prefeituras do pais, perdeu espaço.

Há também uma análise por parte de um cientista político, que destaca o equilíbrio nas eleições municipais, as percas por partido e suas consequências, e tendências para as próximas eleições.

 

Análise do Jornal Estado de Minas

 

Reportagem, Título: PT e PSDB foram os partidos que mais elegeram prefeitos no segundo turno.

 

Dentre as reportagens do jornal, há uma que diz respeito aos resultados das eleições no segundo turno de forma mais específica. A análise é a de que o PT e o PSDB, foram os partidos que mais elegeram prefeitos nesse segundo turno. Há também informações de como foram o desempenho dos partidos que disputaram as eleições nos 50 municípios em que houve o segundo turno.

 

 

Hoje em Dia destacou em seu portal que o PSDB perdeu apenas na cidade de Uberaba no 2º turno em Minas Gerais. Na ocasião, a legenda apoiou o candidato do PSB, Antônio Lerin(FOTO: Enerson Cleiton)

Eleições do 2º turno em Minas Gerais – análise de cobertura dos portais mineiros

Por Gabriel Gama

As cidades de Montes Claros, Contagem, Juiz de Fora e Uberaba elegeram seu respectivos prefeitos no último domingo (28/10). Os municípios mineiros eram os únicos do estado que necessitaram do 2º turno para definir o pleito. Um dia após as eleições, os principais veículos de comunicação de Minas Gerais (Estado de Minas e Hoje em Dia) destacaram, em seus portais de notícias, as vitórias de cada candidato – todos parlamentares e estreantes no cargo.

O portal O TEMPO Online não fez a cobertura do pós- resultado, apenas publicaram a eleição dos quatro candidatos, no domingo à noite.

Hoje em Dia destacou em seu portal que o PSDB perdeu apenas na cidade de Uberaba no 2º turno em Minas Gerais. Na ocasião, a legenda apoiou o candidato do PSB, Antônio Lerin(FOTO: Enerson Cleiton)

Estado de Minas

O candidato eleito em Montes Claros foi o ex-deputado estadual e empresário do setor de educação, Ruy Muniz (PRB). O jornal ressaltou que a vitória foi a mais “apertada” dentre as cidades do estado que foram para o 2º turno. O veículo iniciou a matéria contextualizando a trajetória de Ruy Muniz até a eleição, ao destacar o fato do político não ter entrado como favorito na disputa. O Estado de Minas também abriu espaço para o novo prefeito esclarecer o apoio político recebido durante o 2º turno e falar de suas propostas.

Em Contagem, o jornal priorizou a informação de uma possível aliança entre o eleito, Carlin Moura (PCdoB), com o PT, do derrotado Durval Ângelo. No lead, o veículo introduz com as informações estatísticas da vitória do candidato. Logo depois, o repórter explica, com as declarações de Carlin, como será a transição para o novo governo e os projetos que virão a ser implantados. O destaque principal fica a cargo da possibilidade do PT, que governou durante oito anos seguidos na cidade, fazer parte do secretariado do novo prefeito.

Na cobertura da cidade de Juiz de Fora, o Estado de Minas destacou a vitória de um ex-aluno da Universidade Federal sobre a ex-reitora da instituição. Bruno Siqueira (PMDB) venceu Margarida Salomão (PT) no segundo turno da disputa do quarto maior colégio eleitoral de Minas Gerais. No lead, o veículo fez um breve resumo do que os dois candidatos faziam na UFJF, quando eram contemporâneos na universidade. Durante a matéria, o veículo abordou os dois pontos de vista – do vencedor e da derrotada – após o resultado final. O jornal publicou a declaração de Margarida e deixou claro o futuro político dela para o leitor. Quanto ao novo prefeito, houve um destaque para a trajetória política de Bruno e os novos desafios à frente de Juiz de Fora.

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, a diferença de votos foi de apenas 4,2 mil. O veículo destacou o triunfo de Paulo Piau (PMDB), após uma disputa acirrada com Antônio Lerin (PSB). O jornal deu destaque as propostas do novo prefeito e abriu uma retranca dando destaque a políticos de “peso” que acompanharam de perto as eleições na cidade. O veículo trouxe a informação das presenças do vice-presidente da República, Michel Temer; do presidente nacional da legenda, Valdir Raupp, senador por Roraima; do senador Clésio Andrade e do ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Fernando Pimentel.

Carlin venceu com quase 66% dos votos válidos. Candidato do PCdoB foi apoiado pelos tucanos, mas quer aliança com o PT em seu mandato (FOTO: Edésio Ferreira/DA Press)

Hoje em Dia

Diferente da cobertura feito pelo Estado de Minas, o Hoje em Dia optou em tratar o tema dos candidatos eleitos com um outro viés. A pauta foi a vitória do PSDB sobre a legenda rival, PT, nas quatro cidades mineiras que foram para o 2º turno, ou seja, em âmbito estadual.

VEJA A MATÉRIA: PSDB ‘vence’ no 2º turno em Minas, mesmo sem disputar

O partido tucano apoiou os políticos vencedores das cidades de Contagem, Juiz de Fora e Montes Claros e saiu derrotado apenas em Uberaba. A matéria ainda abriu uma retranca abordando também a queda no número de prefeitos eleitos da legenda em Minas Gerais, em comparação com o ano de 2008. Naquela ocasião, o PSDB conseguiu eleger 158 prefeitos, 16 a mais que nesta eleição.

Entrevista com a candidata Maria da Consolação (PSOL)

Grupo

Camila Bastos Ramos
Carmelita Maria Soares de Melo
Felipe Rennó Gomes
Fernanda Melo Fiorenzano Reis
Judy Nemésio Lima Barros
Luisa Faria Pereira
Luiza Diniz Laraia

A candidata do PSOL à sucessão municipal em Belo Horizonte conversou com os estudantes de Jornalismo da PUC Minas sobre as propostas de governo apresentadas em sua candidatura e chamou a atenção dos eleitores ao afirmar que “política não pode ser negócio”. Maria da Consolação enfatizou a urgência de se implementar uma reforma política e falou sobre a importância de se radicalizar a democracia em favor da participação coletiva dos cidadãos em todas as decisões políticas da cidade. Ela tem 49 anos, é mestre em Pedagogia pela UFMG e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo. Trabalha na Universidade do Estado de Minas Gerais e é professora da Rede Municipal de Belo Horizonte há 26 anos.

1) Candidata, qual é o objetivo do PSOL nas eleições municipais de 2012?

R.: A eleição é um momento muito importante para discutirmos o futuro da cidade, do Estado e do país. Portanto, nós, que somos um partido de esquerda, temos a obrigação de, no processo eleitoral, abrirmos um debate e apresentarmos propostas concretas de transformação da cidade, do Estado e do país. Isso nós estamos fazendo e é possível construir uma nova Belo Horizonte assim. Uma construção além do que eles querem nos impor. Nós temos condições de fazer isso. O nosso programa de governo apresenta propostas simples e concretas, porque se sustenta na discussão do direito que temos na cidade. Portanto, o dinheiro público tem que ser investido para melhorar a vida do conjunto da população e na radicalização da democracia. Temos que garantir a participação das pessoas na definição dos destinos da cidade. Não podemos aceitar mais essa velha história de que “vou votar em quem está ganhando, vou votar no menos pior”. Temos opções concretas de transformação da nossa cidade e estamos fazendo esse papel, buscando e trabalhando intensamente para conquistar mais pessoas para essa proposta. Tenho a convicção de que não é impossível mudar e nós temos propostas concretas para transformar Belo Horizonte em uma cidade melhor para todo mundo.

2) Quais as estratégias têm sido usadas pelo PSOL para publicizar as suas propostas de campanha?

R.: Nós temos participado de todos os debates em que somos convidados. Realizamos panfletagens, utilizamos o tempo do horário eleitoral gratuito, temos feito rodas de conversa com as pessoas. Utilizamos, também, as redes sociais. Buscamos construir esse espaço coletivo de debate, porque para nós é muito importante. A política feita olho no olho, discutindo, dialogando, porque se defendemos a radicalização da democracia, nós temos que demonstrar essa capacidade e essa convicção. Nós realmente queremos discutir com as pessoas todos os destinos da cidade. E temos a humildade em dizer que apresentamos um programa que é interessante, que é o mais completo, mas não está totalmente perfeito. Por isso, os debates são importantes para as pessoas discutirem e apresentarem novas propostas, como forma de garantir a participação dessas pessoas na construção de uma cidade melhor.

“É possível construir uma nova Belo Horizonte. Uma construção além do que eles querem nos impor. Nós temos condições de fazer isso”.

3) Caso seja eleita, como você acredita que será a sua relação com a Câmara de Vereadores, uma vez que, provavelmente, enfrentará uma grande resistência lá dentro?

R.: Essa é uma questão da velha política que nós temos que romper. É um mito. Hoje, quando se fala em governabilidade, o que significa? Chantagem. É o que está lá no julgamento do mensalão. Significa compra de votos. Nós temos que romper com isso. Vereador tem que votar boas leis para a população e fiscalizar o Executivo. Quando falamos que queremos radicalizar a democracia, significa que vamos discutir as leis, conversar com as pessoas, enviar propostas para a Câmara e cobrar um posicionamento dos vereadores. Se eles vierem com a política das chantagens, nós iremos convidar as pessoas, convocar a população para exigir que eles cumpram a obrigação deles. Não podemos ficar nessa situação de aceitar que a política é negócio. Se nós queremos construir outra relação, iremos construir outra relação com a Câmara Municipal. E se tivermos divergência em alguma proposta de lei, de grupos dentro da cidade, de grandes setores dentro da cidade, vamos fazer um plebiscito. Nós temos recursos na cidade. Hoje, é investido muito dinheiro em publicidade. O que precisamos fazer é investir dinheiro na publicidade, não em autopromoção, e sim na publicidade educativa, de debates sobre os problemas da cidade, para termos mecanismos de plebiscitos, de referendos, de participação efetiva da população na definição das questões da cidade. Então, vamos fazer esse enfrentamento com tranqüilidade. Vamos chamar os eleitores e eles irão pressionar.

4) Como você analisa o atual prefeito e candidato à reeleição Márcio Lacerda?

R.: O atual prefeito é um candidato à reeleição, que tem privatizado a nossa cidade. O compromisso dele é com os grandes grupos econômicos de Belo Horizonte. A concepção que ele tem é a de tratar a cidade como se fosse uma empresa, a empresa pessoal dele. Portanto, ele privatiza a cidade, destrói as relações sociais e tem uma relação perversa com a população mais pobre, com a população de rua, com as pessoas que fazem ocupações urbanas. Márcio Lacerda tem uma visão militarizada em relação às pessoas que lutam dentro da cidade.

5) Qual é a sua percepção sobre o movimento “Fora Lacerda”?

R.: Eu considero o “Fora Lacerda” um movimento muito importante, porque foi o primeiro movimento organizado para contrapor a Administração Pública. Existem vários movimentos dentro da cidade, mas o movimento “Fora Lacerda” faz um chamado ao conjunto dos movimentos e surge, também, em função disso. Como estavam acontecendo várias manifestações na cidade e as mesmas pessoas iam apoiar as outras, então elas se uniram contra essa prefeitura que privatiza a cidade. Nós temos que fazer um movimento contra essa prefeitura. Portanto, o “Fora Lacerda” tem a função pedagógica de articular e manter uma posição dentro da cidade, dizendo que a cidade não pode ser privatizada.

“Ele (Márcio Lacerda) privatiza a cidade, destrói as relações sociais e tem uma relação perversa com a população mais pobre da cidade, com a população de rua, com as pessoas que fazem ocupações urbanas”.

6) Qual a sua opinião sobre esse rompimento de última hora do PT com o PSB?

R.: Eu imagino que eles vão passar a eleição toda tentando explicar. Como é possível estarem juntos e, faltando cinco dias para a inscrição de chapa, promoverem o rompimento? Além disso, Délio Malheiros também deveria explicar o fato de haver feito campanha afirmando ser de oposição e, de repente, fazer uma articulação que o transforma de oposição em vice. O problema é que a política realizada nesses vinte anos, antiga política da oligarquia, mercantilizada, virou um negócio. Você não faz acordo e recebe apoios por uma questão programática e por convicções ideológicas. Você faz acordos e apoios em função do que isso vai te fazer ganhar e quem vai manter-se no poder. É essa velha política que precisamos eliminar, porque ela é baseada no financiamento privado de campanha, deu origem ao mensalão, à compra de votos, aos “Cachoeiras” da vida. Portanto, é preciso romper com essa política e nós estamos propondo, com a nossa candidatura, o PSOL e o PCB, construir uma nova política baseada na participação das pessoas na definição dos destinos. Por isso, não aceitamos financiamento privado de campanha, pois sabemos que as empresas não doam, elas investem para cobrar no futuro e aí comprometem o futuro da cidade, pois os recursos públicos serão destinados a um pequeno grupo, e não ao conjunto da população.

7) Se as pesquisas confirmarem que Patrus e Márcio Lacerda vão para o segundo turno, você irá apoiar algum desses candidatos?

R.: O que podemos dizer, hoje, é que iremos disputar para irmos ao segundo turno, porque se tem as duas candidaturas da continuidade e a nossa candidatura apresenta uma proposta de transformação da cidade, consideramos, então, ser importante irmos para o segundo turno. Mas, se isso não acontecer, vamos convidar todas as pessoas que participaram da construção do nosso programa, que apoiaram a nossa campanha, para sentarmos coletivamente e definirmos o nosso posicionamento em relação à cidade, porque temos um acordo entre nós e somos contra a atual Administração. Somos “Fora Lacerda”. Portanto, vamos discutir o nosso posicionamento político e, como se trata de uma campanha fruto de uma construção coletiva, teremos que esperar esse momento acontecer, para coletivamente definirmos sobre ele.

8) Vocês têm vários acordos, alianças em vários movimentos com o PSTU. Mas, por que o PSOL não fez aliança com o PSTU esse ano?
R.: Olha, nós tentamos construir uma proposta de conjunto, apresentar uma candidatura comum na cidade. Mas, não conseguimos, infelizmente. Respeitamos os companheiros pelas decisões, mas conseguimos construir com o PCB e temos apoio na nossa campanha pelo PRC. Respeitamos e continuamos juntos na luta por uma cidade melhor para todo mundo.

“Você não faz acordo e recebe apoios por uma questão programática e por convicções ideológicas. Você faz acordos e apoios em função do que isso vai te fazer ganhar e quem vai manter-se no poder”.

9) E como ocorreu essa aliança entre o PSOL e o PCB?

R.: A aliança foi fruto desses debates. Nós estávamos debatendo com várias pessoas a necessidade de construirmos alternativas para Belo Horizonte. Foi um processo de discussão, construído coletivamente a partir de várias reuniões. E, ao pensar se fazíamos ou não a aliança, fizemos várias reuniões abertas, discutindo os problemas da cidade. Então, nós, por exemplo, do PSOL, passamos um período fazendo nossos debates. As pessoas nos convidavam para discutir assuntos que envolvem: cultura, saúde, educação, direitos humanos, moradia na cidade e, a partir desses debates abertos, convidando as pessoas militantes nos diversos movimentos sociais da nossa cidade, inclusive fora de Belo Horizonte, junto com a militância dos outros partidos, nós fomos construindo uma reflexão coletiva que resultou na constituição da “Frente BH Além do Possível”.

10) Qual a diferença entre as suas propostas e as da Vanessa Portugal?

R.: Nós apresentamos o melhor programa de governo. Temos orgulho em dizer isso. Se vocês entrarem no site do TRE, verão minhas propostas. Eu propus o programa mais completo. Nosso programa tem mais de trinta páginas. Os outros partidos apresentaram sínteses, pontos. O nosso programa foi construído durante seis meses, com reflexão coletiva. Nós não apresentamos pontos, propostas soltas. São reflexões sobre os problemas da cidade, sobre cada ponto desses problemas e, nessa reflexão, apresentamos as propostas de solução. Então, na verdade, o nosso programa tem diferenças e semelhanças com os outros, com o do PSTU, por exemplo. Mas, o nosso programa tem uma consistência programática construída coletivamente.

11) De que forma você avalia a cobertura das eleições pela grande mídia?

R.: Aqui há um problema: a eleição virou espetáculo mercantilizado. Portanto, a imprensa sempre trabalha na lógica de que só tem duas candidaturas: Patrus e Márcio Lacerda. Ambos têm muito mais tempo do que nós no programa eleitoral para apresentar as propostas. Ou seja, os tempos entre os candidatos são desiguais. Isso remete ao problema das velhas alianças. Uma candidatura faz vários acordos, não por convicção programática, mas por saber que aquele acordo com dezenove partidos é que vai garantir mais tempo no espaço da televisão. Isso precisa mudar. Por isso, nós defendemos uma reforma política que garanta tempos iguais, financiamento público de campanha. Se todo mundo tiver o mesmo tempo, o mesmo espaço, o mesmo recurso financeiro, nós teremos outra perspectiva de eleição. Um debate concreto sobre os destinos da cidade. Hoje, infelizmente, a nossa forma de organização do processo eleitoral no Brasil reduz a política ao grande marketeiro. Ele transforma a eleição numa questão de negócio e despolitiza a política. E nós queremos politizar a política, fazer com que ela retome a sua função de origem, que é a resolução coletiva dos problemas que nos afligem. Isso é a política. Então, nós precisamos recolocá-la nesse lugar.

“Uma candidatura faz vários acordos, não por convicção programática, mas por saber que aquele acordo de 19 partidos é que vai garantir mais tempo no espaço da televisão”.

12) Quais as suas considerações sobre a Vanessa Portugal não ser convidada para alguns debates da grande mídia, apesar de estar pontos à frente e você ter sido convidada por ter representação partidária?

R.: Nós participamos de toda a discussão nos programas de TV, levando o nosso posicionamento. E queremos todas as pessoas participando dos debates. Quando a imprensa vem com alguns critérios, nós enfatizamos que todo mundo deve participar. Eles só nos convidam porque a lei determina isso. Eu assino todos os manifestos de apoio para que todos participem. Fizemos parte desse movimento de cobrar da imprensa que ela garanta a presença de todo mundo. Agora, isso também faz parte do processo que está visando a reforma política no nosso país. A lei, hoje, garante a participação de quem tem representação na Câmara. Na eleição anterior, a interpretação das emissoras era: quem estava na coligação que tivesse representação na Câmara, participava. Hoje, a interpretação da imprensa baseia-se na pessoa que é ‘cabeça de chapa’, se ela tem representação na Câmara. Então, não é a coligação. É mais grave ainda.

13) Você sabe qual é o perfil do seu eleitorado?

R.: Acreditamos nas pessoas que querem, entendem ser necessário e urgente transformar a política. E aí tem uma diversidade de pessoas com 60, 70, 80 anos, que têm esperança e querem ver a transformação. Há, também, pessoas mais jovens que querem essa mudança, porque percebem que trazemos nessas eleições uma proposta consistente para a cidade. Por isso, foi fundamental para nós esse processo de construção de um programa de governo. Temos uma proposta consistente para a cidade. Pretendemos debater com as pessoas e mostrar para elas que podemos ir além do possível que eles querem nos impor. Então, eu imagino que as pessoas que estão se aproximando da nossa candidatura, são aquelas que querem construir outra política. Querem construir uma política sem mensalão, sem caixa dois, sem “Cachoeiras”, sem compra de votos. Pessoas que acreditam ser necessário e urgente participar da política. É no processo de democratização que fazemos a política recuperar a força de ser política enquanto experiência humana. Então, tem sido essas pessoas que apoiam a nossa candidatura. Pessoas com esperanças e vontades, que acreditam que nada é impossível de ser mudado.

Entrevista com a Candidata Vanessa Portugal (PSTU)

Grupo

Camila Bastos Ramos
Carmelita Maria Soares de Melo
Felipe Rennó Gomes
Fernanda Melo Fiorenzano Reis
Judy Nemésio Lima Barros
Luisa Faria Pereira
Luiza Diniz Laraia

A candidata Vanessa Portugal já é uma velha conhecida do eleitorado mineiro. Desde 2002 tem aparecido sistematicamente de dois em dois anos nas campanhas eleitorais, ora para prefeita de Belo Horizonte, ora pra governadora de Minas Gerais. Apesar das seguidas derrotas, nunca perde o ritmo e continua a bradar as campanhas sociais como é típico aos partidos de esquerda fazer. Nessa batalha onde os gigantes Patrus e Lacerda levam boa parte das atenções, Vanessa tenta convencer a cidade de que é que a candidata que pode resolver todos os problemas da cidade, não a “menos pior”.

A professora da rede municipal de ensino de Betim e sindicalista, tem como principais bandeiras a reestatização dos órgãos e serviços da prefeitura e melhoria do salário e das condições de trabalho dessa categoria.

1- Em sua opinião a greve dos professores da rede pública foi necessária? Por quê? E ela trouxe melhorias para a categoria e aos alunos?

A greve é uma necessidade de todo trabalhador, na medida que as suas condições de trabalho são atacadas. No caso do servidor público é uma necessidade do trabalhador do serviço público e das pessoas que são atendidas por esse serviço, porque embora as greves representam um prejuízo momentâneo, na medida em que cessam o atendimento, ao longo da história, foram elas que garantiram a expansão do serviço público e a melhoria da qualidade do mesmo para atender a população. Então se você pensar que a greve foi feita porque o governo federal atacou nos últimos anos, profundamente, a carreira desses trabalhadores, e no caso das universidades, a expansão que foi feita através do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), foi uma expansão completamente mal feita, porque na realidade não garantiu a qualidade – hoje a UFMG tem três vezes mais alunos e o mesmo número de profissionais que se tinham há uma década atrás. Então foi uma greve extremamente necessária, uma vez que colocou esse assunto em debate. Claro que nós desejaríamos que os governos oferecessem e investissem o necessário para se garantir a qualidade do serviço e a greve não fosse necessária. Mas enquanto não investem, é um mecanismo importante de reinvindicação.

2- Em seu mandato teria o meio-passe de transporte público para estudantes tanto da rede pública quanto da particular?

Nós defendemos a municipalização do transporte municipal, porque se é uma empresa da prefeitura, você pode eliminar do preço da passagem, o lucro do empresário. A passagem seria simplesmente para garantir a manutenção do serviço. Então a combinação da manutenção do transporte, da municipalização e da expansão do metrô rumo a modificar a matriz de transporte na cidade – que hoje é rodoviária, para uma matriz ferroviária – permitiria o passe livre para estudantes tanto da rede pública e da particular e também para os desempregados. Tanto estudantes da rede privada quanto da rede pública, porque a grande verdade é que os estudantes da rede privada também não têm renda. São seus pais que pagam seu transporte nas cidades, e a verdade é que são filhos de trabalhadores que fazem muito sacrifício para pagar a escola desses jovens, eles também precisam circular. E também para os desemprego, pois essa é uma forma de mobilizar o setor da população que hoje está fora da estatística, porque sequer saem de casa para procurar emprego. Eles não entram sequer nas estatísticas de desempregados, então o passe livre para desempregado faria com que essa população movesse em busca inclusive do emprego.

3- Quais seriam as medidas para melhorar a segurança pública na cidade? Você chegou a falar da segurança para mulher, mas além dessa quais outras medidas estariam dentro da sua proposta?

Melhorar a segurança pública não é uma medida unilateral, nós não acreditamos que o aumento da repressão melhore a segurança pública. Até porque parte siginificativa da violência que a sociedade vive é do estado e da polícia. Os jovens, principalmente os homens negros da periferia são agredidos pela polícia, não é só pela marginalidade. Que nós achamos que é preciso, primeiro, uma defesa de unificação e desmilitarização da polícia. Sabemos que não é o prefeito que tem o poder de fazer isso, mas o prefeito pode defender isso. A desmilitarização da guarda municipal, pra que de fato seja uma guarda que cuida das pessoas e do patrimônio público, e não uma guarda que incentive a violência como é a tendência que está sendo colocada. A criação de conselhos populares de segurança, não para que a população assuma a responsabilidade de ter que fazer investigação e denunciar, o que traz pra ela o risco sobre suas costas ao denunciar um traficante do bairro. E a não ter uma ação da polícia acaba que quem denunciou fica com um risco sobre isso. Mais porque os conselhos populares deliberativos das comunidades podem dizer como é a melhor forma de ter segurança pública naquela comunidade, porque conhecem essa realidade. Mas além disso, o que nós acreditamos é que precisa ter uma atuação para melhor distribuição de renda e aparelhos públicos que cuidem da população, porque a violência é potencializada pela desigualdade social que existe nesse país e nessa cidade. Mas você não pode querer que uma cidade que tem um produto interno bruto maior do que muitos países da América Latina, e ao mesmo tempo mais da metade da sua população ganha menos de um salário mínimo. Isso é um espaço onde você vai aumentar a violência n cidade. Então diminuir essa desigualdade social, tanto com políticas de geração de empregos quanto com políticas de moradias, saúde e educação são fundamentais para que se ataque o problema de segurança. É uma ilusão as pessoas acharem que existe uma medida que não enfrente a desigualdade e que vá resolver o problema de segurança cidade.

4- Quais seriam suas propostas para melhorar a assistência aos idosos em Belo Horizonte?

Esse é um problema pouco discutido nas eleições. Porque, qual é a situação dos idosos hoje? Como as aposentadorias estão cada menores, há uma tendência no país para que todos ganhem salário mínimo depois de aposentado. Você tem na capital duas situações, uma é de abandono dos idosos, e outra de que as vezes o salário do idoso é a única renda de determinados grupo familiares porque os empregos são muito baixos. O que nós acreditamos que seja necessário a ser feito, primeiro, é preciso ter centro de atendimento aos idosos. Você tem uma parcela da população que precisa ser atendida em centros públicos de atendimento que garantam não só moradia, mas que sejam referência de qualidade. Mas não só isso, é preciso também ter casas de passagem, pois tem uma parcela da população que tem um idoso na família, e não se trata de maus tratos, mas a pessoa precisa trabalhar, e o idoso não pode ficar sozinho em casa. E as vezes é deixado em condições defavoráveis porque a pessoa tem que trabalhar, não tem como ficar em casa cuidando. Então isso nos parece que seja uma medida emergencial e que não existe hoje. Os asilos públicos são de péssima qualidade, e acabam representando um abandono da família do idoso. Não precisa ser assim, você pode ter casas de cuidado dos idosos públicas de qualidade, que eles não fiquem em galpões, que eles tenham privacidade, porque ele é um adulto que envelheceu. Não pode obrigar esse idoso a viver num galpão junto com outras pessoas que ele não conhece, que ele tenha quarto e pessoas para atendê-lo. E tem que ser casa tanto permanentes que eles morem lá , mas também podem ser casas em que ele passe o dia, e possa à noite voltar para o cuidado e o convívio com a família.

5- Apenas uma parcela pequena de dinheiro é investida na reciclagem do lixo em Belo Horizonte, e a maior parte do lixo acaba indo para os aterros sanitários. Como seria a melhor solução possível para com que houvesse uma maior conscientização da separação dos materiais recicláveis? Não só por parte da SLU, mas também da população que faz o descarte.

São quatros estágios: o primeiro é da educação da população, que é uma tabalho que pode sim ser desenvolvido pela SLU, que tem campanhas bem interessantes mas que não não chegam até a população, pois não existe um investimento da prefeitura para que isso aconteça. Mas não basta a educação, a prefeitura tem que dar condição para que as pessoas dentro de casa façam a divisão do lixo. Segundo é a coleta seletiva, que mesmo hoje é muito pequena com 13 ou 14%. Terceiro é o incentivo das cooperativas de coleta seletiva. Existe um trabalho que é gerador de emprego, o da população dos catadores, que fazem o trabalho de separar o lixo. Então é necessário que a prefeitura faça uma política de incentivo desses catadores e que eles possam ter uma relação decente de vida de trabalho, que não sejam desprezados pela população. E o quarto é que tenham empresas públicas de reciclagem, que sirvam inclusive de geração de renda para a cidade, e para que o lixo não seja todo misturado novamente nos aterros .

Em dia com a política

Por: Antônio Marcos

No tempo da cédula de papel o eleitor quando anulava o voto, exercia a sua forma de protesto e reivindicava as promessas realizadas pelos candidatos.   João, Maria e José e tantos outros brasileiros escreviam na cédula, asfalto, saúde educação, saneamento básico ou moradia. No passado o processo de apuração era lento e estas manifestações não eram computadas.

Como explicar em nossa recente história política, fenômenos de votos como Éneas e Tiririca. O médico que se popularizou anunciando o seu nome em apenas 30 segundos que foi concedido pela propaganda eleitoral. Enquanto o palhaço Tiririca fez fama com a música “florentina” e em sua campanha para Deputado Federal, utilizou o slogam “vote no Tiririca, pior não fica”.

Hoje em dia

Domingo, 14/ outubro

O eleitor decide

O Jornal “Hoje em dia” (domingo, 14/out) apresentou o protesto do eleitor, com voto em ‘alternativos’. Na matéria temos nomes como “Obama” do munícipio de Governador Valadares, “Purga” de Perdões e “Michael Jackson” de Timóteo que se transformaram nos novos representantes do povo.

Os estreantes na política já realizam trabalhos comunitários, como Levi Vieira, conhecido como “Obama de Turmalina”, que recebeu 2.136 votos. Em Montes Claros, o envangélico Waldney da Silva, “ex-viciado” em crack, promete lutar em prol da criação de um Centro de Reabilitação, foi eleito com 2.656 votos.

O Tempo

Domingo, 14/ outubro
Cobertura política de Belo Horizonte

Bastidores do poder

Com a vitória do Socialista Márcio Lacerda em primeiro turno em Belo Horizonte, os aliados iniciaram nos bastidores da política uma corrida para ocupar as pastas que antes eram comandadas pelo PT, partido da base e responsável pela aliança que conduziu o atual prefeito a vitória em 2008.

Não há confirmação de quantos cargos comissionados existem. Segundo o presidente municipal do PT e vice-prefeito da capital mineira, Roberto de Carvalho, após o rompimento da aliança, 375 petistas foram exonerados da administração, todos ao longo do período eleitoral.

 

Estado de Minas

Domingo, 14/ outubro
Cobertura política de Belo Horizonte

Representatividade feminina diminuiu

A matéria produzida pelo jornal “Estado de Minas”, destacou que apenas uma vereadora foi eleita na capital mineira. Embora o número de candidatas que disputaram as eleições tenha aumentado, em razão inversa à representatividade feminina diminuiu.

O jornal estabeleceu uma comparação e observou que desde a promulgação da Constituição  Cidadã de 1988 que ampliou as garantias e liberdades individuais, a tendência foi de conquista da participação femina, em um espaço que antes eram dominado pelos homens.

No entanto, desde as eleições de  2008 se registra em todo o país uma queda no número de mulheres que conquistaram uma cadeira no legislativo.

Segundo turno

Nos munícipios mineiros que seguem em ritmo de segundo turno, temos em Contagem (Durval Ângelo x Carlin Moura) e em Juiz de Fora (Margarida x Bruno Siqueira), candidaturas que manifestaram participação na base da Presidente Dilma Rossef.

Em Montes Claros, Paulo Guedes disputa a prefeitura com Ruy Muniz, ambos pertencem a base da Presidente Dilma. Na cidade de Uberaba, Antônio Lerin (PSB) quer o apoio de Aécio Neves contra Paulo Piau (PMDB).

O Globo

Domingo, 14/ outubro

Mudou o tom

Após vencer as eleições para um segundo mandato a prefeitura do Rio de Janeiro, Eduardo Paes admite reajustes do IPTU. Contrariando as promessas de campanha, o atual prefeito já iniciou estudos de alteração do imposto. Segundo Paes, há muito instrumentos no Estatuto das Cidades e no Plano Diretor que podem ser utilizados, como o IPTU progressivo.

Paes considera que não é justo à manutenção do desconto para vizinhos a favelas pacificadas. E que o atual modelo está defasado, afirma que existem distorções na planta de valores. De acordo com o prefeito reeleito, áreas que possuem um desconto no tributo em função da violência registrada no passado, agora devem se adaptar a nova realidade e que o Rio mudou, está pacificado.

 

Folha de São Paulo

Domingo, 14/ outubro

O julgamento do mensalão

De acordo com a reportagem da “folha” sobre o julgamento do mensalão, foram condenados 25 dos 37 réus pelo crime de corrupção ativa e passiva, peculato, gestão fraudulenta, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

Entre os que foram considerados culpados estão o ex-ministro José Dirceu ( Casa Civil) , o ex-presidente do PT José Genoino, o empresário Marcos Valério e a dona do Banco Rural, Kátia Rabello.

Por entendimento do Supremo Tribunal Federal, todos os réus que foram considerados culpados, de alguma forma, participaram do esquema de desvio de recursos públicos para comprar apoio político de parlamentares nos primeiros anos do governo Lula.

Segundo a reportagem da “folha”, ainda não é possível saber que réus irão efetivamente para a prisão. Observando o Código Penal, o regime é inicialmente fechado para penas acima de oito anos.