ESPAÇO DESTINADO AOS CANDIDATOS DE PARTIDOS PEQUENOS REFLETE UM PROBLEMA DO SISTEMA ELEITORAL

Por Fernanda Melo Fiorenzano Reis

No dia 27 de setembro, apresentamos um breve resumo acerca do perfil das candidatas Maria da Consolação, do PSOL e Vanessa Portugal, do PSTU. Mencionamos os principais veículos de comunicação em que pautaríamos nossa análise sobre a cobertura eleitoral e iniciamos o cumprimento da proposta do trabalho, concernente em analisar a postura midiática dos veículos em relação aos espaços concedidos para a “movimentação política” das candidatas supracitadas. Dando sequência à proposta, hoje, dia 30 de setembro, cumpre-nos salientar a evidente desigualdade de espaço destinado a publicar informações sobre a rotina de campanha das candidatas Maria da Consolação e Vanessa Portugal. Parece-nos que as razões são múltiplas, mas não temos a pretensão de apresentar uma análise taxativa sobre a questão, tampouco mostrar soluções ao problema. Vejamos em detalhes.

No Estado de Minas, não há menção alguma sobre as candidatas. Assuntos como mensalão, vereadores pouco votados em eleições passadas, candidatura de uma novata à prefeitura de Ribeirão das Neves e a briga Lacerda versus Patrus, compõem o caderno de política do dia. Da mesma forma, o portal eletrônico segue a dinâmica dos mesmos assuntos e nada é citado sobre ambas.

O Hoje em Dia optou por publicar assuntos que envolvem a política nacional, com destaque à entrevista realizada com Marina Silva, atualmente sem vínculo partidário. Eleições da capital paulista e carioca também fizeram parte dos principais temas do dia. Não houve publicações sobre as candidatas em análise.

O jornal O Tempo Online concentrou-se em divulgar conteúdos do dispositivo da Lei Eleitoral que determina as recomendações e proibições de atos na semana do dia das eleições.

Da mesma forma, O Globo e a Folha de São Paulo, por razões um tanto evidentes diante das menções acima, não se ocuparam em destinar espaço às candidatas do PSOL e PSTU.

Ora, as campanhas eleitorais são fenômenos midiáticos que buscam mobilizar e chamar a atenção do público eleitor. Nesse sentido, a televisão é o grande suporte para a criação de campanhas criativas e espetaculares, do ponto de vista do discurso e estrutura de apresentação. Aparece mais aquele que tem mais espaço e investe “pesado” em estratégias de marketing político. Em relação aos veículos impressos, a questão central nos parece ser outra, embora possua um viés comum: o espaço destinado aos candidatos. A mídia impressa não explora o recurso da imagem e das inserções “espetaculares”, mas quem pouco aparece, ou seja, quem pouco é noticiado, de certa forma, acaba não existindo, perde importância, força e, consequentemente, espaço.

A partir do fenômeno da “abertura política”, houve uma proliferação de pequenos partidos políticos. Há quem considere isso uma afirmação ao exercício da democracia, mas há quem enxergue a questão de forma negativa, considerando que os muitos pequenos partidos tumultuam o já conturbado cenário político. Ora, é inegável o surgimento de candidatos sem qualquer preparo para pleitear e assumir a outorga de mandato eletivo. Estes reclamam pela falta de espaço na mídia, por meio da qual acreditam que poderiam expor suas ideias e concorrer em igualdade de condições com os grandes partidos. Não estamos, aqui, afirmando que as candidatas Maria da Consolação e Vanessa Portugal são ineficientes ou despreparadas. Se assim fosse, a análise passaria por outra abordagem. Queremos destacar que o problema da desigualdade de espaço entre os candidatos existe, ocorre entre as candidatas em tela e reflete outro problema maior, a fragilidade do sistema eleitoral e o interesse da grande mídia em cobrir somente os partidos de maior relevância.

Quem considera a abertura política um evento nocivo, entende que os pequenos partidos se formaram, dividiram e enfraqueceram a oposição, prejudicando a democracia que acreditavam estar fortalecendo.

É claro que a preocupação da lei em garantir certa equidade na distribuição do espaço na mídia é legítima e importante, no entanto pouco se traduz, de fato, quando se trata de influir na formação da convicção do leitor. Aqui entra o problema dos candidatos despreparados, uma vez que a discussão política deve ser pautada na consistência das propostas de governo. Muitas vezes, os candidatos de menor destaque apresentam propostas frágeis e absurdas e, até mesmo, existem os que não apresentam. O espaço deve ser concedido para quem deseja mostrar um bom conteúdo político, revelando uma correta postura de governabilidade. Nesse viés, o debate eleitoral é limitado pela mídia que se ocupa em cobrir os grandes partidos, caso os pequenos estejam realmente imbuídos em defender propostas, projetos e ideias indispensáveis ao bem comum e ao amadurecimento e avanço do processo democrático. Do contrário, realmente seria inútil conceder espaço para quem deseja tão somente tumultuar ou se manter no jogo político por interesses exclusivamente outros que não os da coletividade.

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