Funec sobrepõe outros temas e segue como foco das disputas eleitorais em Contagem

Por Gabriel Gama, Leandro Vita, Ariela Dellaretti e Rodrigo Antunes

Mais valorizado do que o próprio debate educacional, instituição pública é alvo de ataque dos oposicionistas

Contagem ( Foto: Site da Prefeitura de Contagem)

Contagem ( Foto: Site da Prefeitura de Contagem)

Fator de “peso” nas duas últimas eleições para a Prefeitura da cidade, a Funec (Fundação de Ensino de Contagem) é o principal foco de debate entre os candidatos opositores, Ademir Lucas (PSDB) e Carlin Moura (PCdoB) contra o governo petista de Marília Campos – no posto desde 2005 – e o atual representante do partido nas eleições, Durval Ângelo.

A diretriz do discurso dos opositores é a mesma na campanha e principalmente no programa eleitoral televisivo: a promessa da reabertura de 19 das 22 unidades fechadas nos últimos três anos. Em contraposição, o candidato do PT utiliza também o seu tempo na TV para rebater as acusações, negar que o plano de educacional tenha acabado e explicar as mudanças no funcionamento da instituição pública.

Em entrevista ao Observatório das Eleições no último dia 19, o candidato Carlin Moura centralizou o seu discurso em torno do tema, ao criticar o modelo de gestão da atual prefeita, Marília Campos. Segundo o deputado estadual, a situação das Funec’s não deveria estar em estado crítico, pois Contagem é um polo industrial gerador de empregos principalmente para os mais jovens.

“Reabrir as Funec´s é um  compromisso de nosso governo e será o nosso primeiro decreto. Contagem precisa ampliar os investimentos nos jovens, preparando-os para o mercado de trabalho. Por isso, a Funec em nosso governo é prioridade. Vamos investir na Funec com um diferencial: promovendo ensino de qualidade, com infraestrutura necessária para atender os alunos e promover o acesso à escola”, ressaltou.

O opositor sinaliza que a economia de 50% nas verbas destinadas às Funec’s em 2012 foi improdutiva e pouco adiantou para o município. De acordo com o candidato do PCdoB, Contagem está preparada para manter a instituição. “Vamos reabrir todas as unidades. O município gastava por ano R$ 22 milhões com a Funec e hoje gasta R$ 12 milhões. Foi uma economia porca. A estrutura está pronta e os 540 professores foram alocados em outras funções e continuam recebendo. Contagem tem condição de manter a instituição funcionando”, completou.

Com vantagem de 2,4 pontos a favor nas intenções de voto (28,7% contra 26,3% de Durval Ângelo), segundo pesquisa do DataTempo/CP2 da última semana, o ex-prefeito Ademir Lucas ressalta a sua paternidade das Funec’s e promete a reabertura das unidades fechadas. Por meio do seu site oficial, o candidato considera a decisão de interromper o projeto de forma precipitada e ratifica o ponto de vista do concorrente, Carlin Moura, quanto à capacidade de Contagem em manter a estrutura.

“Fui eu que construí as Funec’s, isso é de minha paternidade e ninguém tira. Fechá-las é um absurdo. Eu também municipalizei as Funec’s, que antes eram nove e ampliou para 21 unidades públicas. Nosso governo pagou o maior salário da educação, na época eram cinco salários mínimos”, lembrou.

Candidato da situação minimiza críticas e se defende

Através do plano de governo, veiculado em seu site oficial, Durval Ângelo justifica a reestruturação das Funec’s, instituída em 21 de março de 1973 na cidade pela Lei nº 1.101, como uma mudança de foco no projeto e rechaçou quaisquer possibilidades de fechamento. O candidato da situação também revelou que o objetivo da Prefeitura com a instituição é focar no ensino médio integrado e profissionalizante, não somente no científico.

“A Prefeitura de Contagem está fazendo a sua parte na educação profissional. Reestruturou a Funec, que passou a focar na formação geral integrada à formação profissional em currículo único para jovens que concluíram o ensino fundamental. Se eu for eleito, vou abrir mais duas unidades. Uma no Petrolândia e outra no Eldorado, focadas no ensino profissionalizante e cursos de curta duração”, explicou.

Durval também salienta a necessidade de um trabalho em paralelo com outras instâncias governamentais, como a federal e a estadual, visando à permanência e a segurança do projeto.

“Vou continuar a política de consolidação da Funec na educação profissional, com recursos próprios e a ajuda dos governos federal e estadual, que estão disponibilizando verbas expressivas para essa modalidade de educação. A Funec deve firmar parcerias, como já tem feito, com o governo federal e o Sistema “S” para cadastramento de jovens para os cursos técnicos do Pronatec”, concluiu.

Sob outro ponto de vista

Em meio às polêmicas declarações entre os candidatos à Prefeitura de Contagem – eleição que acontece no próximo dia 5 – a presidente da Funec, Telma Fernanda, esclareceu a situação do órgão público. Em entrevista veiculada ao Jornal Contagem, ela diz que as denúncias sobre o risco do fechamento das Funec’s e as acusações contra o governo de Marília Campos são incabíveis.

“A Funec nunca teve 22 unidades. Essa é uma mentira que foi contada repetidamente à população até alcançar valor de verdade. A Funec só possui dois prédios próprios: o Centec e a unidade Riacho. Das propaladas 22 unidades abertas pelo governo anterior, uma funcionava em prédio alugado, outra em prédio cedido e 18 em coabitação em escolas da Rede Municipal, em condições inadequadas para o atendimento ao ensino médio profissionalizante, sobretudo quanto a espaços e laboratórios”, contestou.

Para a presidente da instituição, a discussão em torno do assunto não tem embasamento, já que não faltam vagas para o ensino médio regular em Contagem e, desde 2011, não é necessário ofertar novas vagas através da Funec. Telma Fernanda revelou à reportagem do jornal local que a Funec passa por um processo de mudança de metas e não o fechamento completo do programa, conforme os candidatos da oposição estão defendendo em suas respectivas campanhas políticas.

“Atualmente, estamos estudando e formatando novos cursos, como o de Farmácia e Cuidado com Idosos. Trouxemos o Programa de Educação Profissional – PEP, do governo estadual; o Pronatec, que é um programa federal e fizemos uma importante parceria com o Instituto Maristas, que assumiu a antiga Escola Municipal Maria Olintha, além do CEFET, uma conquista histórica para nossa cidade”, completou a presidente.

 

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