Mineradora ainda causa divergências em Conceição do Mato Dentro

Por Gianluca Silva, Thiago Fernandes e Thiéres Rabelo

Com atuação em Conceição do Mato Dentro desde 2008, a Anglo American explora a mineração na cidade de Minas Gerais. Quando se instalou no município, duas vertentes surgiram no local. De um lado, aqueles que se posicionam contra o empreendimento, sobretudo por conta da beleza natural do lugar – considerado a capital mineira do ecoturismo. De outro, parte da população que defende as ações da empresa, que geram mais investimentos e empregos. O panorama, desde então, não foi modificado.

Aqueles que defendem a atuação da mineradora na cidade interiorana utilizam os benefícios, sobretudo de infra-estrutura, como argumento. Desde a instalação da empresa, 18 ruas foram totalmente reformadas na cidade, escolas foram criadas, projetos sociais foram implementados e, recentemente, até a Igreja Matriz de Conceição do Mato Dentro foi reformada – todos com o auxílio da instituição.

O investimento da empresa na região, principalmente no setor de educação, é defendido por Paulo Castellari, presidente da Unidade de Negócio Minério de Ferro Brasil da Anglo American. “Com essa parceria, damos um passo importante para que tenhamos mais uma oferta de ensino de qualidade na região. A escola será destinada para as crianças e jovens de Conceição do Mato Dentro e será realizada concessão de bolsas de estudo à comunidade financiadas pela Anglo American”, afirmou o diretor da empresa, que se diz preocupado com a comunidade local:

“Temos uma preocupação constante com a promoção de ações que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável, a educação e a cultura de Conceição do Mato Dentro. Essas iniciativas da Anglo American demonstram o nosso compromisso com a comunidade do município”.

Embora reconheça que a mineradora leve benefícios à sua cidade natal, o empresário João Bosco Costa Lima, 52 anos, um dos líderes do movimento “Quero Conceição sem mineração”, explica por que é contra a ação da Anglo American na cidade interiorana.

“A chegada da mineradora a Conceição do Mato Dentro causa muito dano ambiental. É lógico que traz alguns benefícios para a cidade, não tem como eu negar isso. Mas o município foi atingido duramente em seus costumes e cultura. O minério é transportado pelo mineroduto e, por isso, utilizam nossas águas. Ninguém paga por isso. Tem a questão da especulação imobiliária também. Hoje é muito mais caro viver em Conceição. O trânsito aumentou bastante na cidade, o que nunca aconteceu antes da chegada da Anglo (American) aqui”, declarou.

 

IMPASSE NOS ROYALTIES?

A Anglo American se instalou na cidade há quatro anos e, desde aquela época, uma questão paira sobre a população de Conceição de Mato Dentro: o valor dos royalties do minério. Uma parcela dos moradores do município queria que os preços fossem mais elevados, já que se trata de um local voltado para o ecoturismo. No entanto, os valores são equiparados com o restante do país.

Recentemente, o Governo de Minas Gerais – encabeçado pelo governador Antônio Anastásia e o senador Aécio Neves – lutou pelo aumento dos royalties do minério. Atualmente, as mineradoras pagam entre 0,2% e 3% de seu faturamento líquido pela exploração de ouro, ferro, metais nobres e outros recursos minerais. Pela proposta, o valor seria calculado sobre o faturamento bruto e saltaria para 4% em média.

O empresário João Bosco, avesso à ação da mineradora em Conceição do Mato Dentro, questiona os moldes dos royalties do minério: “Hoje, a Anglo não paga o que deveria, na minha concepção, pagar pela exploração da cidade. É muito pouco por tudo o que a mineradora faz aqui. Temos que lutar por um aumento dos royalties. Particularmente, sempre lutei por isso. Desde o dia que se noticiou a chegada da mineradora, tentamos nos organizar para trazer mais recursos à cidade”.

Um dos principais interessados nessa modificação, o atual prefeito de Conceição do Mato Dentro e candidato a reeleição, Reinaldo Guimarães comenta esta situação. “É algo importante. Inclusive, agora, a Dilma (Rousseff, presidente do Brasil) acabou de vetar um projeto que passou pelo Senado (que propunha um aumento da compensação financeira pela extração mineral (CFEM), os royalties do minério). É mais do que justo que os royalties do minério sejam igualados em todo o Brasil. Mas acredito que não sejam apenas os royalties do minério, mas do petróleo também, que é muito importante”, avaliou, em entrevista ao Observatório da Eleição.

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