Entrevista com a Candidata Vanessa Portugal (PSTU)

Grupo

Camila Bastos Ramos
Carmelita Maria Soares de Melo
Felipe Rennó Gomes
Fernanda Melo Fiorenzano Reis
Judy Nemésio Lima Barros
Luisa Faria Pereira
Luiza Diniz Laraia

A candidata Vanessa Portugal já é uma velha conhecida do eleitorado mineiro. Desde 2002 tem aparecido sistematicamente de dois em dois anos nas campanhas eleitorais, ora para prefeita de Belo Horizonte, ora pra governadora de Minas Gerais. Apesar das seguidas derrotas, nunca perde o ritmo e continua a bradar as campanhas sociais como é típico aos partidos de esquerda fazer. Nessa batalha onde os gigantes Patrus e Lacerda levam boa parte das atenções, Vanessa tenta convencer a cidade de que é que a candidata que pode resolver todos os problemas da cidade, não a “menos pior”.

A professora da rede municipal de ensino de Betim e sindicalista, tem como principais bandeiras a reestatização dos órgãos e serviços da prefeitura e melhoria do salário e das condições de trabalho dessa categoria.

1- Em sua opinião a greve dos professores da rede pública foi necessária? Por quê? E ela trouxe melhorias para a categoria e aos alunos?

A greve é uma necessidade de todo trabalhador, na medida que as suas condições de trabalho são atacadas. No caso do servidor público é uma necessidade do trabalhador do serviço público e das pessoas que são atendidas por esse serviço, porque embora as greves representam um prejuízo momentâneo, na medida em que cessam o atendimento, ao longo da história, foram elas que garantiram a expansão do serviço público e a melhoria da qualidade do mesmo para atender a população. Então se você pensar que a greve foi feita porque o governo federal atacou nos últimos anos, profundamente, a carreira desses trabalhadores, e no caso das universidades, a expansão que foi feita através do Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais), foi uma expansão completamente mal feita, porque na realidade não garantiu a qualidade – hoje a UFMG tem três vezes mais alunos e o mesmo número de profissionais que se tinham há uma década atrás. Então foi uma greve extremamente necessária, uma vez que colocou esse assunto em debate. Claro que nós desejaríamos que os governos oferecessem e investissem o necessário para se garantir a qualidade do serviço e a greve não fosse necessária. Mas enquanto não investem, é um mecanismo importante de reinvindicação.

2- Em seu mandato teria o meio-passe de transporte público para estudantes tanto da rede pública quanto da particular?

Nós defendemos a municipalização do transporte municipal, porque se é uma empresa da prefeitura, você pode eliminar do preço da passagem, o lucro do empresário. A passagem seria simplesmente para garantir a manutenção do serviço. Então a combinação da manutenção do transporte, da municipalização e da expansão do metrô rumo a modificar a matriz de transporte na cidade – que hoje é rodoviária, para uma matriz ferroviária – permitiria o passe livre para estudantes tanto da rede pública e da particular e também para os desempregados. Tanto estudantes da rede privada quanto da rede pública, porque a grande verdade é que os estudantes da rede privada também não têm renda. São seus pais que pagam seu transporte nas cidades, e a verdade é que são filhos de trabalhadores que fazem muito sacrifício para pagar a escola desses jovens, eles também precisam circular. E também para os desemprego, pois essa é uma forma de mobilizar o setor da população que hoje está fora da estatística, porque sequer saem de casa para procurar emprego. Eles não entram sequer nas estatísticas de desempregados, então o passe livre para desempregado faria com que essa população movesse em busca inclusive do emprego.

3- Quais seriam as medidas para melhorar a segurança pública na cidade? Você chegou a falar da segurança para mulher, mas além dessa quais outras medidas estariam dentro da sua proposta?

Melhorar a segurança pública não é uma medida unilateral, nós não acreditamos que o aumento da repressão melhore a segurança pública. Até porque parte siginificativa da violência que a sociedade vive é do estado e da polícia. Os jovens, principalmente os homens negros da periferia são agredidos pela polícia, não é só pela marginalidade. Que nós achamos que é preciso, primeiro, uma defesa de unificação e desmilitarização da polícia. Sabemos que não é o prefeito que tem o poder de fazer isso, mas o prefeito pode defender isso. A desmilitarização da guarda municipal, pra que de fato seja uma guarda que cuida das pessoas e do patrimônio público, e não uma guarda que incentive a violência como é a tendência que está sendo colocada. A criação de conselhos populares de segurança, não para que a população assuma a responsabilidade de ter que fazer investigação e denunciar, o que traz pra ela o risco sobre suas costas ao denunciar um traficante do bairro. E a não ter uma ação da polícia acaba que quem denunciou fica com um risco sobre isso. Mais porque os conselhos populares deliberativos das comunidades podem dizer como é a melhor forma de ter segurança pública naquela comunidade, porque conhecem essa realidade. Mas além disso, o que nós acreditamos é que precisa ter uma atuação para melhor distribuição de renda e aparelhos públicos que cuidem da população, porque a violência é potencializada pela desigualdade social que existe nesse país e nessa cidade. Mas você não pode querer que uma cidade que tem um produto interno bruto maior do que muitos países da América Latina, e ao mesmo tempo mais da metade da sua população ganha menos de um salário mínimo. Isso é um espaço onde você vai aumentar a violência n cidade. Então diminuir essa desigualdade social, tanto com políticas de geração de empregos quanto com políticas de moradias, saúde e educação são fundamentais para que se ataque o problema de segurança. É uma ilusão as pessoas acharem que existe uma medida que não enfrente a desigualdade e que vá resolver o problema de segurança cidade.

4- Quais seriam suas propostas para melhorar a assistência aos idosos em Belo Horizonte?

Esse é um problema pouco discutido nas eleições. Porque, qual é a situação dos idosos hoje? Como as aposentadorias estão cada menores, há uma tendência no país para que todos ganhem salário mínimo depois de aposentado. Você tem na capital duas situações, uma é de abandono dos idosos, e outra de que as vezes o salário do idoso é a única renda de determinados grupo familiares porque os empregos são muito baixos. O que nós acreditamos que seja necessário a ser feito, primeiro, é preciso ter centro de atendimento aos idosos. Você tem uma parcela da população que precisa ser atendida em centros públicos de atendimento que garantam não só moradia, mas que sejam referência de qualidade. Mas não só isso, é preciso também ter casas de passagem, pois tem uma parcela da população que tem um idoso na família, e não se trata de maus tratos, mas a pessoa precisa trabalhar, e o idoso não pode ficar sozinho em casa. E as vezes é deixado em condições defavoráveis porque a pessoa tem que trabalhar, não tem como ficar em casa cuidando. Então isso nos parece que seja uma medida emergencial e que não existe hoje. Os asilos públicos são de péssima qualidade, e acabam representando um abandono da família do idoso. Não precisa ser assim, você pode ter casas de cuidado dos idosos públicas de qualidade, que eles não fiquem em galpões, que eles tenham privacidade, porque ele é um adulto que envelheceu. Não pode obrigar esse idoso a viver num galpão junto com outras pessoas que ele não conhece, que ele tenha quarto e pessoas para atendê-lo. E tem que ser casa tanto permanentes que eles morem lá , mas também podem ser casas em que ele passe o dia, e possa à noite voltar para o cuidado e o convívio com a família.

5- Apenas uma parcela pequena de dinheiro é investida na reciclagem do lixo em Belo Horizonte, e a maior parte do lixo acaba indo para os aterros sanitários. Como seria a melhor solução possível para com que houvesse uma maior conscientização da separação dos materiais recicláveis? Não só por parte da SLU, mas também da população que faz o descarte.

São quatros estágios: o primeiro é da educação da população, que é uma tabalho que pode sim ser desenvolvido pela SLU, que tem campanhas bem interessantes mas que não não chegam até a população, pois não existe um investimento da prefeitura para que isso aconteça. Mas não basta a educação, a prefeitura tem que dar condição para que as pessoas dentro de casa façam a divisão do lixo. Segundo é a coleta seletiva, que mesmo hoje é muito pequena com 13 ou 14%. Terceiro é o incentivo das cooperativas de coleta seletiva. Existe um trabalho que é gerador de emprego, o da população dos catadores, que fazem o trabalho de separar o lixo. Então é necessário que a prefeitura faça uma política de incentivo desses catadores e que eles possam ter uma relação decente de vida de trabalho, que não sejam desprezados pela população. E o quarto é que tenham empresas públicas de reciclagem, que sirvam inclusive de geração de renda para a cidade, e para que o lixo não seja todo misturado novamente nos aterros .

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